segunda-feira, 3 de novembro de 2008

“Vou pegar uma situação melhor”

Renildo Calheiros (PCdoB), Prefeito eleito de Olinda

ED RUAS

Prefeito eleito de Olinda, o deputado federal Renildo Calheiros (PCdoB) conquistou uma das vitórias mais consistentes em Pernambuco. Disputando o cargo até contra aliados da base do Governo do Estado, o comunista ganhou, no primeiro turno, com 56,43% dos votos válidos. O comunista garante que receberá o município numa situação bem melhor que a prefeita Luciana Santos (PCdoB) encontrou, há oito anos. Nesta entrevista, o parlamentar fez uma avaliação do cenário político no Estado e no País. Segundo ele, o campo de esquerda tem tudo para continuar no poder e reeleger o governador Eduardo Campos, nas eleições de 2010.

O senhor teve que ditputar contra candidatos da base aliada. Nesse sentido, sua vitória em Olinda se torna mais significativa do que no Recife?

Mais significativa não. Mas acho que é uma vitória expressiva, principalmente pelo percentual que a gente conseguiu atingir lá, de se aproximar de 57% dos votos. Quando fazemos as contas, a soma dos outros ficou próxima de 43%. São quase 14 pontos de frente. Número bem diferente do que conquistamos no Recife e dos números de Elias Gomes (PSDB) em Jaboatão. Deve-se se levar em conta que, além dos candidatos de partidos da base, Olinda é uma cidade muito difícil de ser administrada. Historicamente destruiu prefeitos, pois arrecada pouco e tem muitos problemas, e a capacidade de investimento é muito pequena. O processo de administração deixa sempre os prefeitos de Olinda muito mal. Se levarmos em consideração essas duas variantes, a vitória se torna mais expressiva.

Você pretende chamar os adversários de campanha, como Alf (PDT) e Arlindo Siqueira (PTB), para conversar e participar da administração?

O processo político é muito dinâmico. O que está na minha cabeça é governar com as forças que me ajudaram a vencer.

Qual o principal foco administrativo de Renildo Calheiros?

Tenho dificuldade de lhe dizer qual seria minha prioridade absoluta. Em várias áreas temos algumas ações que vamos ter que realizar de qualquer maneira. Vamos investir muito na continuidade das obras estruturadoras, que levam saneamento básico e urbanizam as áreas. Boa parte delas está ligada ao PAC, outra parte ao FINIS, outra parte ligada ao Prometrópole e uma quarta parte ligada ao Orçamento Geral da União. Existem bairros que têm praticamente todo o saneamento por fazer, muitas ruas por calçar e vou lutar nisso incisivamente. Vamos urbanizar o segundo trecho da orla de Olinda, vamos buscar alternativas para o trânsito, como fazer pelas margens do canal de Rio Doce e do Fragoso, fazer uma avenida para ligar a ponte do Janga a PE-15. Vamos duplicar a maternidade Mirtes de Albuquerque e fazer investimentos na área de saúde em parceria com o Governo do Estado. O governador vai construir, em parceria conosco, uma unidade de pronto-atendimento. Ainda temos a construção do hospital entre Olinda e Paulista. Penso em fazer algumas alterações importantes na área de turismo e esportes, tentando incrementar algumas atividades culturais da cidade, não ficando restrito apenas ao Sítio Histórico.

Qual a previsão para o início do processo de transição? Já definiu algum nome?

Não. A idéia é segurar o máximo que puder. Mas não podemos segurar demais ao ponto do secretário convidado não ter tempo de pegar as informações que necessita, para entrar janeiro já trabalhando. Como conheço mais ou menos as coisas lá, acompanho tudo que posso para ter as informações. Na segunda quinzena de novembro, montamos um grupo pequeno para organizar a transição e iniciar o processo de montagem do secretariado. Ainda temos o problema adicional: em Olinda se paga muito pouco. Então, com os técnicos mais reconhecidos, mais valorizados no mercado, temos a dificuldade de levá-lo pra lá.

Como resolver o problema da baixa arrecadação?

É um grande desafio. Vem aumentando ano a ano. Mas não no volume suficiente para dar à Prefeitura a capacidade de enfrentar seus problemas. Olinda não tem indústrias, no turismo se arrecada muito pouco, os hotéis não estão lá. O turista chega bate um retrato e vai embora. Temos que dotar a cidade de outra infra-estrutura para prender o turista na cidade e ,de preferência, hospedá-lo na cidade para que ele consuma. É necessária uma série de ações e Luciana Santos já começou a fazer isso. Uma série de reformas e restaurações importantes, organizando o saneamento, a orla, valorizando o litoral norte da cidade. Temos em mente alguns grandes empreendimentos, mas não estamos falando muito nisso, porque não ajuda. Aumenta muito a concorrência.

A sua administração começa quase no final da gestão do presidente Lula. Como trabalhar sem um aliado a partir de 2011? E porque Luciana não conseguiu trazer mais investimentos para Olinda?

Vou pegar uma situação melhor do que Luciana pegou. Quando ela entrou na Prefeitura, pegou um município desorganizado, sem planejamento, não estava realizando nenhum projeto estratégico e tinha as contas com problemas. E tudo isso teve que ser montado. Eu vou receber a cidade em uma situação diferente. Com contas equilibradas, embora eu precise ficar muito atento à crise que vem se aproximando. Olinda é uma cidade que arrecada pouco e não posso errar nisso. Receberei a cidade com planejamento e várias obras em execução e outras já aprovadas. Tenho ainda dois anos de Lula e Eduardo Campos. Claro que o último ano é o mais tumultuado, porque é de eleição, mas de qualquer maneira são dois anos. Para o ano de 2009, já estou tomando providências na elaboração do Orçamento Geral da União. Estou fazendo uma movimentação em Brasília, aproveitando o fato de não ter tido segundo turno.

O PCdoB conseguiu manter o poder em Olinda. O partido tem um projeto de crescer em 2010 e deixar de ser “apêndice” do PT?

O nosso esforço é o de avançar com as conquistas do povo. Não só em Pernambuco, mas no Brasil. Sempre buscamos que nosso projeto mais partidário não se choque com o projeto geral da luta das nossas forças. Se nosso crescimento implicar numa diminuição dos espaços da esquerda no Brasil, isso não nos interessa. Queremos que as forças de esquerda avancem e nós também. A pré-candidatura de Luciano Siqueira, no Recife, cumpriu um papel importante. Proporcionou que ele entrasse no debate, que colocasse uma série de opiniões. Mas, ao final, acho que foi correta essa união de força, nos deixou forte. Tanto que João da Costa (PT) ganhou no primeiro turno. Se formos contabilizar o que nossos partidos venceram, você vai ver que o resultado da eleição foi muito bom pra gente. 2010 está muito longe ainda, mas precisamos ter a unidade como referência. O que está na minha cabeça é o apoio à reeleição do governador Eduardo Campos. Uma liderança jovem do País, que tem trazido um volume de investimentos para o Estado que nunca foi visto em toda sua história.

E para quem Renildo Calheiros deixará o capital político? Quem será o nome defendido para deputado federal?

Ainda está cedo, mas é muito provável que Luciana Santos seja candidata a deputada federal. Ainda vamos fazer essa discussão e vamos analisar se podemos lançar até mais de um candidato a deputado federal.

Quais os outros nomes da chapa?

Temos um ótimo candidato a governador, Eduardo Campos e temos vários nomes para compor a chapa. Devemos ter paciência para fazer uma boa administração política na montagem dessa chapa. Temos muitos partidos e lideranças fortes do nosso lado e essa é a melhor coisa na política. Mas também requer mais cuidado e atenção para fazer uma boa administração política disso. Precisamos ter paciência para montar uma chapa competitiva e vencer as eleições, para o Governo, Senado e ainda ampliar a bancada de deputados federais. Há um ambiente tão bom em Pernambuco que, se tivermos juízo, podemos inclusive jogar um certo papel na própria chapa que vai disputar a Presidência da República. Mas é muito cedo para resolver.

O senhor é elogiado pela capacidade de conquistar recursos federais para o Estado. Quem vai substituí-lo nessa função?

Não conversei com Lula ainda depois da eleição. Sempre que vou a Brasília, coincide de ele estar viajando. Mas vou conversar com ele e agradecer o apoio que tive, não só nas ações para Olinda, como ao apoio político que tive no processo eleitoral. Antes de assumir a candidatura, conversei com ele, alguns ministros e Eduardo Campos. Cons-truindo um ambiente, pois, para governar Olinda e fazer um bom governo, é preciso essa ajuda dos governos Federal e Estadual. As conversas foram animadores e isso foi uma das coisas que me encorajou a assumir a candidatura em Olinda. Eu sabia que nesses dois primeiros anos, Olinda sem deputado federal, poderíamos viver uma certa dificuldade. Eu pretendo andar muito em Brasília, não penso em perder o contato com a bancada e vou tentar conquistar ajuda enquanto não temos um deputado federal.

A expectativa da oposição é voltar ao poder através da Presidência da República. Em tese, o PT não teria um nome forte. A ministra Dilma Roussef seria a melhor opção?

Temos todas as condições de vencer as eleições para a Presidência da República. Os partidos da base, todos eles cresceram. A oposição foi que perdeu. O PSDB elegeu 100 prefeitos a menos do que na eleição passada. O DEM elegeu 300 prefeitos a menos. Se somarmos, são quase 600 prefeituras a menos. Qual o fenômeno que identificamos nessa eleição? Muitos prefeitos-candidatos foram reeleitos, principalmente nos grandes centros, onde há uma tendência oposicionista muito forte. Acho que é o fato de o Brasil estar vivendo um momento de grandes investimentos e muitas obras sendo realizadas. Isso é decorrência do crescimento econômico proporcionado pelo Governo Lula e, sobretudo, pelo alto volume de investimentos em obras públicas no Brasil. É uma conquista do povo, mas com ações do presidente. Acho que Dilma pode ser candidata, mas é muito cedo ainda pra definir isso. Mas minha expectativa é que vamos vencer as eleições. Não é verdade que o José Serra (PSDB) venceu as eleições no País. Ele é um dos grandes derrotados. Ajudou a destruir a liderança política de Geraldo Alckmin (PSDB). Ele destruiu os concorrentes no campo dele, os outros postulantes da oposição. O Serra trabalha muito com a destruição de outras lideranças, isso é uma característica do perfil dele. A Dilma é um bom nome, mas precisamos avaliar o processo político.

http://www.folhape.com.br/

3 comentários:

telminha disse...

o nepotismo corre solto nessa secretaria de educaçao de olinda/elaine lins estagiaria da fadurpe e supervisora do escola aberta = filha de vera santos)cc3 da secretaria de educaçao
aline de souza brito contratada da escola monte castela e supervisora do escola aberta = nora de vera santos(cc 3 da secretaria de educaçao
eduardo da hora contratado do dteci = sobrinho da secretaria de educaçao de olinda
hugo vinicios contratado do dteci = sobrinho de rosario mota(cc3 da secretaria

telminha disse...

o nepotismo corre solto nessa secretaria de educaçao de olinda/elaine lins estagiaria da fadurpe e supervisora do escola aberta = filha de vera santos)cc3 da secretaria de educaçao
aline de souza brito contratada da escola monte castela e supervisora do escola aberta = nora de vera santos(cc 3 da secretaria de educaçao
eduardo da hora contratado do dteci = sobrinho da secretaria de educaçao de olinda
hugo vinicios contratado do dteci = sobrinho de rosario mota(cc3 da secretaria

Monica disse...

Esta Vera se acha, porém não tem postura para ocupar o cargo que ocupa em primeiro lugar se veste mau, assedia pessoas, não tem competência pedagógica faz as coisas segundo seus interesses e ainda sustenta marmanjo. Senhora Secretária abra seu olho ou será que gosta de usar a máquina também, ela telefona do gabinete p comprar peças de carros para lojas de marmanjo de outro município... tá usando a máquina. Isso é que é competência. Abra o olho Prefeito!!! O senhor esta chegando agora e essa corja faz muito estrago!!!