quarta-feira, 12 de março de 2008

Pernambuco perde o maestro Mário Câncio


Maestro Mário Câncio

Por Marieta Borges Lins e Silva

Um homem feito de ternura e amor ao próximo. Um maestro talentoso, aplaudido por platéias do mundo, deflagrador de idéias novas para fazer da Música a forma de vida de muitos... Um descobridor e incentivador de outros talentos... Assim era MARIO CÂNCIO , o maestro que Pernambuco acaba de perder, sem que sequer lhe tivessem sido prestadas as homenagens merecidas, pelos tantos seguidores que formou, na docência da UFPE e no CEMO, filhos diletos do seu coração sensível e de seu inegável saber.

O menino pobre, criado em Olinda fez-se músico muito cedo. Fagote, foi o seu instrumento preferido. Reger outros músicos foi seu ofício, no elegante desempenho que seguiu mostrando pela vida. Como um fidalgo, seu gestos corretos e sua elegância natural destacavam o artista que se fizera mestre na arte da regência.

O menino fervoroso se fez arauto de um cristianismo profundo e plenamente aceito, sempre pronto para ajudar aos que precisassem de sua palavra, de suas leituras bíblicas, de sua crença nos ensinamentos de Alan Kardec.

O maestro construiu sonhos, criando cursos de Música na Universidade Federal de Pernambuco, ao lado de outros expoentes igualmente ousados e ajudando a dar forma à aspiração olindense de possuir uma casa de ensino de Música, com a criação do Centro de Educação Musical de Olinda.

Desde o começo, em 1980, o CEMO estava fadado a dar certo, pela proposta social que o imaginava e a coragem daquele gentleman das notas musicais que o concretizava com recursos mínimos. Para o CEMO carregou a mesma iluminada vontade de ajudar que o levara a trilhar os caminhos do Movimento de Cultura Popular - MCP, pela qual sofreu os ditames do golpe de 1964, que o afastou dos cargos que ocupava, inclusive como maestro titular da Orquestra Sinfônica da Prefeitura do Recife. Para o CEMO convocou ex-alunos - os melhores que encontrou disponíveis - iniciando uma forma de ensinar Música que recebia dos que podiam pagar e disponibilizava aulas, gratuitamente, para os que não podiam, dentre alunos carentes.

MÁRIO CÂNCIO JUSTO DOS SANTOS merecia ter esse nome... Poucos foram tão “justos” e tão “santo s” como ele o era!
Agora, Pernambuco deve a esse filho as homenagens que não lhe prestou em vida. Deve o reconhecimento do talento guardado na aparência profundamente humilde e servidora que o caracterizava. Deve a divulgação do seu nome, para a estudantada de hoje, tão distante dos encantos que a Música de todos os tempos possui, correndo sempre o risco de deixar-se levar pela criação de discutível qualidade, e esquecendo a obra imortal de gênios, repassada pelo talento de uns poucos, como o foi, na vida inteira do maestro que pranteamos.

Maestro Mário Câncio , que Deus o recompense por todos os momentos em que se colocou ao lado de sonhadores, durante sua vida inteira, para embarcar nessas esperanças de realizações e ajudá-las a virarem verdade! E que Ele o recompense pelos excluídos que arrastou para a vida artística, dando-lhes chances nunca imaginadas!
Como foi bom que você existiu!.


Pesquisadora e fundadora do CEMO
marietaborges@nlink.com.br

http://www.folhape.com.br/

Um comentário:

Salete Vasconcelos Silveira Vasconcelos disse...

Tenho as melhores lembranças do nosso querido maestro Mário Câncio e, muito saudosa, hoje, tenho-lhe que prestar a minha imensa gratidão por ter me ajudado a viver os meus melhores dias em meio a uma fase desastrosa em minha vida.