domingo, 20 de janeiro de 2008

As Virgens de Verdade









OLINDA URGENTE - COBERTURA DO
CARNAVAL EM TEMPO REAL

HISTÓRIA DAS VIRGENS DE VERDADE

A agremiação nasceu de uma dissidência do bloco “As Virgens de Bairro Novo”. Segundo Edgar Paiva Júnior, diretor da agremiação, um dos motivos da separação foi a proibição da participação das mulheres. “Eu entrei nas Virgens de Bairro Novo, aos 16 anos. Na época, os homens já ficavam receosos porque as namoradas não podiam participar. Quando se aproximava o Carnaval, elas botavam ‘aquela cara’. Ou ficavam em casa ou iam para algum ponto da avenida para ver o desfile de longe. Era uma semana de briga. Teve gente que acabou o casamento por causa disso”, alegou. Edgar lembra que as mulheres podem participar do desfile dentro do cordão de isolamento. “Todos os inscritos ganham camisas que, na maioria das vezes, são dadas às companheiras”, falou.


Edgar contou, também, que o percurso inspirou o nome Virgens de Verdade. “Quando o bloco de Bairro Novo foi fundado, o desfile era feito pela orla. Faz parte da nossa tradição, que também é prezar pelas músicas regionais, valorizando o que nós temos de melhor. O resgate que nos comprometemos a fazer é tamanho que filhos de fundadores do bloco concorrente fazem parte do nosso”, destacou.

Everaldo Albuquerque, de 61 anos, desfila no Carnaval de Olinda há quatro décadas. Há oito anos passou a participar das Virgens de Verdade. “Lembro da primeira vez em que saí com meu filho, quando ele tinha dois anos de idade. A nossa fantasia era a de Vovozinha e Chapeuzinho Vermelho. Hoje, saio com meu neto, que também está com dois anos”, contou Albuquerque, que faz da sua casa um verdadeiro quartel general do bloco. “Minha esposa ajuda na confecção das fantasias. Os amigos e vizinhos também colaboram. Este ano vou sair com o adorno chamado a Virgem dos Anos Dourados”, adiantou.

Clima família atrai foliões

De acordo com um dos diretores das Virgens de Verdade, Romero Guimarães, há vários atrativos que fazem muitos homens procurar o bloco para desfilar. “De um ano para cá, muita gente chegou querendo desfilar na nossa agremiação. Eles se sentem tranqüilos por causa da segurança que a gente oferece. Desde o primeiro ano, nós mantivemos a proposta de qualidade, tanto do evento em si, como das bandas que animam a festa. Sem contar que as esposas e namoradas podem participar. Isso deixa os foliões mais animados e o clima no bloco com um ar de família”, contou. Guimarães provoca que o percurso das Virgens de Verdade é o melhor que existe entre as agremiações concorrentes do gênero. “Pela beleza, por causa da orla e pelo conforto. Mesmo o desfile sendo sob o sol, a brisa do mar alivia o calor. O caminho feito pela avenida Getúlio Vargas era escaldante, muita gente passava mal”, avalia.

Os inscritos concorrem a prêmios ao disputar em seis categorias: luxo, originalidade, grupo, a virgem mais tímida, a mais sapeca e mais “malamanhada”. “Essa última é uma categoria irreverente, bem dentro da proposta do bloco, em que desfilam homens que não têm habilidade nenhuma para andar de salto e se comportar vestidos de saia. É o que mais atrai o público. As pessoas querem ver os rapazes barbudos, com a perna cabeluda, com um barrigão enorme. Esse é o sucesso das Virgens de Verdade”, comenta, descontraído, Romero.

E TEM MAIS:

Agora, Às 11h 50min, a festa, no Mercado Eufrásio Barbosa, é comandada pelo Burra do Rosário e, ao meio dia, o bloco de samba Catraias de Peixinhos faz sua prévia no bairro.

À tarde, a folia começa às 13h com o bloco John Travolta, no Clube Atlântico de Olinda. Às 15h, Os Tranqüilos do Amparo dão o ritmo à Bodega do Veio, localizado na Cidade Alta.

A partir das 16h, o Patusco agita a galera com seu ensaio geral no Bonfim. Logo após, às 17h30, é a vez do Maracatu Amantes da Mão, que se concentra na Igreja de São Pedro, fazer um arrastão pelas ruas da Cidade Alta.

VIRGENS DE VERDADE, SIM SENHOR!

OLINDA // Bloco fez ontem seu 8º desfile pré-carnavalesco pela beira-mar e, segundo a Polícia Militar, reuniu cerca de 250 mil pessoas

As panteras roubaram a cena no carnaval de Olinda deste domingo, no desfile do bloco Virgens de Verdade. Se pecaram pela falta de originalidade na fantasia, esbanjaram em outras áreas, conquistando o troféu de melhor grupo da festa. Com muitas caras e bocas para "conquistar" os rapazes que participavam do evento, as nove meninas só não fizeram chover. Ao som de "As frenéticas", elas se apresentaram de forma impecável, com direito a coreografia e efeito especial produzido com ajuda de sinalizadores. A pureza, para elas, era coisa do passado. De virgens, não tinham nada. No máximo, a lembrança.

As Virgens do Bairro Novo têm de caprichar no próximo domingo para superar as rivais e dissidentes há oito anos. Os garotos que se vestiram de mulher, no 8º desfile do bloco, arrastaram uma multidão na orla de Olinda, cerca de 250 mil pessoas, segundo a Polícia Militar. A criatividade não foi o forte das fantasias, sendo a maioria delas bem conhecida. Só que os rapazes não pecaram na alegria e ainda tiveram o privilégiode desfilar na avenida beira-mar. A prefeita Luciana Santos (PCdoB) prestigiou a festa.

Mecânico, Jarbas Júnior, 36 anos, deixou as ferramentas em casa para exibir o "belo" corpo e chamar a atenção por onde passava, nos dois quilômetros de percurso. Ele disputava o espaço com mais oito panteras e arrasou numa coreografia ensaiada durante uma semana na Treinne Academia. Não era hora de fazer força, quebrar a cabeça, resolver problemas. Sua única ferramenta era a alegria. "Eu sei que eu sou/ bonita e gostosa/ e sei que você/ me olha e me quer. Eu sou uma fera/ de pele macia/ cuidado garoto/ eu sou perigosa", cantou, Jarbas, mostrando ter na ponta da língua a música.

Na concentração em frente à Praça Dantas Barreto, outras meninas disputavam a atenção com as panteras. Médicos, empresários, advogados, comerciantes, vendedores. Todos, ao seu modo, incorporaram o lado mulher ontem. Vestidos de sereias, coelhinhas, bruxas, fadas, jogadoras de futebol, espanholas, super-heroína, dançarinas de cabaré, ou atletas do Pan, cada um esbanjava seu charme. Ao todo, foram 155 que se diziam Virgens de Verdade, inscritas em seis categorias - Mais luxuosa, Mais Original, Grupo, Mais Malamanhada, Mais Tímida, Mais Sapeca.

Com trajes do Bope revestidos de um toque feminino, o advogado Heuber Pessoa, 40 anos, e o empresário Gustavo Lins, 42, não largavam o baton. Ao menos por um dia, os dois foram estrelas do filme mais visto no Brasil no ano passado, o Tropa de elite. Conquistaram o troféu de Originalidade. "Além do sucesso do filme, escolhemos a fantasia como forma de fazer humor com a violência. É uma ironia, uma forma de transformar uma coisa tão triste, como a violência, em alegria", afirmou Gustavo.

Ao som do frevo pernambucano, o médico Marcelo Krause, 31, deu estilo a um personagem conhecido. Vestia uma roupa de super girl, versão feminina do super -homem, e era uma animação só. Estava com a noiva, a biomédica Vânia Pimentel, 31, e brincava com sua fase de "indecisão". "Eu vou me casar este ano e tenho que experimentar de tudopara ver se é isso mesmo que eu quero", afirmou Marcelo, no clima de As Virgens de Verdade. "Eu incentivo. Estou adorando descobrir essa nova face dele", brincou a noiva, no mesmo tom.

http://www.pernambuco.com/diario/2008/01/21/urbana1_0.asp

2 comentários:

rafaely disse...

adoro o bloco das virgem vcs sao de mais parabes

dani disse...

estarei lá, com certeza