segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Gente de Olinda: Dom Tronxo


Músico ainda não alcançou a fama. Foto: Edvaldo Rodrigues/DP

Dom Tronxo aposta em fase produtiva

Da escola de Alceu Valença, no frevo, Dom Tronxo é da mesma turma da Tito Lívio, Luciano Padilha e J. Michiles e Carlos Fernando, estes dois últimos somente como compositores. Dom gravou Alceu e assinou diversas co-autorias com este, por isso acreditou que tal parceria lhe renderia um pouco mais de fama na cidade que adotou. Dom Tronxo é paraibano, mas no próximo dia 12 de março, aniversário de Olinda e Recife, receberá da câmara de vereadores da cidade patrimônio o título de cidadão. Ter vivido à sombra do menestrel não foi o único problema. O codinome - que teve origem nas peladas de futebol mal jogado, ainda menino - foi e continua sendo ainda um empecilho, segundo acredita. Dom foi inclusive buscar abrigo e aconchego em Gravatá. Hoje, no entanto, vive uma de suas melhores fases produtivos. O frevo lhe trouxe de volta.

Ano passado, o cantor lançou o CD Dom do Frevo. Este ano, interpretou a canção Esse ano é Ariano (do falecido João de Lima Neto), que venceu o segundo lugar do concurso de Músicas Carnavalescas do Recife. Desde o final do ano passado, outra produção independente: É frevo meu bem, que traz as inéditas Marco Zero (dele), Doido amor (dele e J. Michiles). O CD tem participação de Alceu Valença, na faixa Beijando a flora, onde é co-autor, junto com Carlos Fernando. Tito Lívio canta com Dom em Piratas de Olinda e, Claudionor Germando, empresta sua grife a Olinda Mulher. Assim como seu mestre, o cantor é daqueles que, perdão do trocadilho, tem o dom do ritmo sincopado, das letras despretensiosas e leves. Morena de Casa Amarela, Caia por cima de mim, Tantos desejos e Recife brilhos e fantasias são algumas destas.

O CD está à venda com o próprio compositor (91624779) e ele segue à despeito das dificuldades que insiste em citar. "É um momento bom para mim, sem dinheiro, mas bom. É que existe também uma grande sacanagem na coisa do frevo, falam 100 anos, mas esse concurso mesmo é uma loucura, um dinheiro enorme daquele e ninguém sabe depois o que aconteceu, não toca em canto nenhum", reclama o compositor.Para completar, tem a eterna batalha com o nome que adotou e hoje, considera, deve ter afastado algumas oportunidades. "Além de lutar pela minha música, luto pelo preconceito contra o meu nome. Ter o nome de Fagner, Roberto Carlos, Alceu Valença é bom, lutar com esse nome é muito difícil. Por isso eu sou um guerreiro mesmo", brinca Dom.

Um comentário:

Nova Era Pratique o Bem disse...

Belissima reportagem, Fui cunhado de Fernando (Don Tronxo), e lhe digo, um apontador da Belesa Universal, onde seus versos são vivos coexistindo com o nosso dia a dia. Obrigado aos responsáveis pela divulgação deste, que Deus continue vos iluminando, divulgando as pérolas de Pernambuco, um beijo em vossos corações. Nilton ( Poá - SP ).