terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Três mil casas esperam por foliões


A CADA LADEIRA da cidade é possível ver placas com oferta de aluguel

Olinda se prepara para o Carnaval, que deve atrair, por dia, um milhão de pessoas

Mariana Cauduro

Já se escuta o som das orquestras de frevo e grupos de maracatu. A expectativa é que mais de um milhão de pessoas passem, por dia, pelas ladeiras de Olinda - primeira Capital Brasileira da Cultura - durante o período do Carnaval. Cerca de 500 agremiações irão fazer parte de um dos maiores festejos de rua do mundo. E mais de três mil casas situadas apenas no Sítio Histórico estão à espera dos foliões. Miniaturas de bonecos gigantes enfeitam a entrada das portas estreitas. Fantasias irreverentes e criativas estão expostas nas janelas. Porém, o cenário da festa de Momo ganhou mais um novo adorno. As placas de aluguel.

Alguns minutos percorridos, durante a manhã de ontem, na Cidade Alta, foram suficientes para achar, em meio às fachadas coloridas das residências, anúncios de locação. Proprietários de casarios antigos abrem as portas para turistas que pretendem percorrer as famosas ladeiras de Olinda, admirar os blocos tradicionais e os famosos bonecos gigantes. A família de José Francisco Ramos, de 47 anos, que mora na rua Prudente de Morais, nos Quatro Cantos de Olinda, aproveita o período para viajar, mas deixa a oportunidade para quem ainda não conhece o ritmo do Carnaval. “Nós vivemos aqui desde a construção do imóvel e alugamos há mais de 20 anos. Enquanto as pessoas vêm para cá, nós nos divertimos longe daqui. Normalmente, procuramos uma casa de praia em Itamaracá. É mais tranqüilo”, afirmou. Segundo ele, a casa - com três quartos, duas salas, banheiros e cozinha já está alugada por uma semana. O contrato vai render cerca de R$ 5 mil. “O dinheiro ajuda nas despesas da própria casa. Já fechamos com um grupo de vinte pessoas. Algumas delas moram no Recife e irão trazer parentes de outros estados”, explicou. Os novos inquilinos chegam na última semana do mês de janeiro.
Lúcia Paula Barbosa, de 32, e o marido moram há seis anos na rua Tabira, há alguns metros das famosas ladeiras de Olinda. Cinco amigos cariocas anteciparam o aluguel da pequena casa de um quarto, sala e cozinha. A vantagem, segundo ela, é que a distância é suficiente para garantir alguns minutos de descanso. “É uma rua tranqüila, apesar de estarmos bem próximos à agitação. Aqui, eles podem dormir e descansar, quando quiserem, sem serem muito incomodados pelo barulho”, explicou.

O carioca e produtor de cinema Daniel Maia, de 23 anos, pretende buscar inspirações para a área profissional. “Quero curtir o pré e pós-Carnaval. Eu e outras pessoas alugamos do dia 31 de janeiro até o dia 9 de fevereiro”.

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